A primeira entrevista de Emerson Sheik após vencer a Libertadores pelo Corinthians foi sobre… o Fluminense. Enquanto deixava o campo onde marcara os dois gols do título inédito, sufcientes para deixá-lo eternamente nos corações alvinegros, Emerson atacava
o time que o dispensara havia mais de um ano. Algo semelhante aconteceu com Marcos Assunção, capitão do Palmeiras, depois da sofrida conquista da Copa do Brasil. Sobrou para jogadores rivais, para a imprensa e para um vago “a todos que desconfiaram deste grupo”. Não dá para acusá-los de inexperiência. O corintiano tem 33 anos. O palmeirense, 36. A juventude não é pretexto. Eram dois homens tomados de um incontrolável sentimento de rancor.
o time que o dispensara havia mais de um ano. Algo semelhante aconteceu com Marcos Assunção, capitão do Palmeiras, depois da sofrida conquista da Copa do Brasil. Sobrou para jogadores rivais, para a imprensa e para um vago “a todos que desconfiaram deste grupo”. Não dá para acusá-los de inexperiência. O corintiano tem 33 anos. O palmeirense, 36. A juventude não é pretexto. Eram dois homens tomados de um incontrolável sentimento de rancor.
Eles não são os únicos. Zagallo, tantas vezes campeão do mundo, criou o “vocês vão ter de me engolir”. O jogador ou o técnico atingem a glória que pouquíssimas pessoas no mundo têm ou terão a oportunidade de experimentar, mas só conseguem pensar em uma frase, em uma cena, em algo infnitamente menor do que o momento que estão vivendo – a ponto de não conseguirem vivê-lo, exceto como um remédio amargo a algum incômodo no fgado. Sempre que vejo essas cenas se repetirem, me lembro de As Brasas, livro do húngaro Sándor Márai.
O Puskas da literatura húngara conta a história de um militar que casa com a mulher que sempre quis e ocupa todas as posições de destaque que poderia almejar em seu país, nos primeiros anos do século 20. Mesmo assim, é consumido pela mágoa em relação a um amigo de infância que, ele desconfa, não foi leal a ele durante um momento da juventude. Veja bem: ele não tem provas de que houve ou não traição. Mas é a dúvida sobre a traição que o corrói.
Quando os dois personagens se reencontram, o militar bem-sucedido e o amigo pobre, errante, para o acerto de contas, ainda perco a respiração como nos dias em que revejo uma das fnais do meu time. Há certas pessoas para quem o rancor vira uma parte do corpo. Ou como defne Shakespeare, em Ricardo II: “A mágoa altera as estações e as horas de repouso/Fazendo da noite dia e do dia noite”. É o caso do militar, que só percebe isso quando o sujeito do seu rancor se materializa.
Sheik e Assunção têm seus motivos, que talvez não confessem nem ao macaco de estimação, como é o caso do corintiano. Essas coisas nunca têm uma única causa. É ingênuo pensar que Emerson estivesse falando apenas do Fluminense, e Assunção, da declaração de um rival. Essas coisas geralmente passam por todas as humilhações acumuladas durante a vida – e pela maneira como cada um lida com elas, como Márai mostra no livro.
Ao expor parte dos rancores em público, talvez eles estejam tentando arrancar o órgão que deixa a vida amarga. De todo modo, prestaram um serviço às pessoas que torcem (ou não) por eles: até os ídolos têm fantasmas. É impossível passar pela vida com a inocência alegre de um cão são-bernardo. O jeito é aceitar que eles existem e aprender a conviver com eles, para que não te consumam. Eu e meus fantasmas esperamos, sinceramente, que os títulos ajudem Assunção e Sheik a ter uma vida mais leve. É uma sorte que o militar de Márai não teve.
Ibrahimovic x Guardiola
Ibra sempre foi o craque do time – menos no Barça de Guardiola. Neste ano, ao brilhar pelo Milan, disse que não cumprimentaria o técnico se o reencontrasse. E finalizou dizendo que entende melhor por que Mourinho não gosta dos catalães.
Ibra sempre foi o craque do time – menos no Barça de Guardiola. Neste ano, ao brilhar pelo Milan, disse que não cumprimentaria o técnico se o reencontrasse. E finalizou dizendo que entende melhor por que Mourinho não gosta dos catalães.
Edmundo x Luxemburgo
Em 2008, Luxemburgo assumiu o Palmeiras e pediu a saída de Edmundo. Meses antes, o jogador processara o técnico por um empréstimo que não teria sido pago. Na Copa do Brasil deste ano, o Animal mandou um “Chupa, Luxa!” no Twitter. Sem perdão.
Em 2008, Luxemburgo assumiu o Palmeiras e pediu a saída de Edmundo. Meses antes, o jogador processara o técnico por um empréstimo que não teria sido pago. Na Copa do Brasil deste ano, o Animal mandou um “Chupa, Luxa!” no Twitter. Sem perdão.
Romário x Zagallo
O Baixinho queria ser o cara da Copa de 1998. Seus planos foram interrompidos por Zagallo, que o cortou sem dó. Resultado? Quando abriu um bar, Romário mandou pintar uma charge na porta de um dos banheiros. Nela, o “Velho Lobo” aparecia sentado no vaso sanitário, de óculos escuros. Touché.
O Baixinho queria ser o cara da Copa de 1998. Seus planos foram interrompidos por Zagallo, que o cortou sem dó. Resultado? Quando abriu um bar, Romário mandou pintar uma charge na porta de um dos banheiros. Nela, o “Velho Lobo” aparecia sentado no vaso sanitário, de óculos escuros. Touché.

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